
Estou só...
Estou só numa nota só.
Numa monotonia de dó.
Estou só e ferida.
Algures.
Não me lembro aonde foi
Nem onde me dói.
Mas estou.
Fecho os olhos e só vejo pesadelos.
Em sangue.
Mas não quero... “Vá de retro”, vai-te embora!
‘Cá depressões, agora...!
Saí da cama... “- não consigo dormir!”
Fui vestir o roupão.
Mirei-me ao espelho, e de repente
Como se nunca lá tivesse estado
Um sinal preto.
Demarcado.
Na pele pálida ao lado do coração.
Junto ao peito.
Perfeito...
Minha noite amiga,
Em ti me escudo e refugio,
De peito aberto e escorrido.
“Hello darkness, my old friend i’ve come to talk with you again ...”
Saio a escrever, depressa!
Só o escrever me faz melhor.
E não, não quero o “sambinha numa nota só”
Aqui onde estou, só me acompanha uma arritmia respiratória.
E a mente lateja de ideias, de palavras, de traços, a toda a brida!
Sinfonia indesejada para quem a noite se torna branca.
Nem uma pista para minha ferida...
Luzes no escuro. Vejo bem na escuridão!
Ao menos isso... Não consigo pregar olho.
Porra! Parece enguiço!
“É sábado à noite! O que vamos fazer?” Insónias...
Antigamente tocava.
ó teclas melodiosas!
Fluidificavam o pensamento e depressa chegava à fantasia.
E era aconchegada por esses sonhos adolescentes
que adormecia.
Agora...tenho os dedos dormentes.
"Vai-te embora ó papão"
de cima do meu telhado
deixa esta mamã,
dormir um sono descansado!
(suspiro)
Precisava de cantar, gritar, dançar...
Resta-me o escrever.
Teclar. Tec-tec-tec-tec-tec...
Estou só, estou só
Escrevendo numa nota só.
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