sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A corda que vibra desde o teto até ao chão


Tenho uma corda dentro de mim, presa no teto,
Que se estende até ao chão.
Cala-a a cabeça
Toca-a o coração
Ora bate no chão em nervoso inquieto
Às vezes escapa-se pelos cabelos,
E em miudinho pelas pernas abaixo.

Vibra presa.
Solta e cantante.
A minha corda,
Corda de insegura amante...

Quando os dedos saltam inquietos pelas teclas,

Quando as mãos querem escrever mais do que a opinião diz
Quando o ouvido não se quer converter na escola que dita os meus dedos
A minha corda interior está vibrante.

Nestes dias devia dançar.
Dançar apenas, com asas abertas ao sol, como as bailarinas das histórias.
Cantar apenas memórias.
Mas só consigo ficar inquieta.

A minha corda, que vibra de baixos no chão que piso,
Que vibra de agudos harmónicos no amor por ti.
De dia inquieta ... de noite em mudo.

Na noite em que me apercebi...
Quando os nossos olhos se encontraram
E as nossas cordas vibraram em sintonia
Nesse dia
Desde esse dia
Que esta corda vibra por dentro
Na tónica perfeita de ti.

Corda interior

sábado, 9 de novembro de 2013

Coração meio mordido

Um coração meio mordido é um coração vivido.
 Lambido.
Sofrido.

Um coração meio mordido é obra do demo.
Vá de retro Satanás! Que tem fome do Amor!
Se quer morder, morda a mãe que lho dá...!
Dá-lho todo sem pedir de volta!

Um coração meio mordido
É comido a meio.
É orgasmo interrompido,
Promessa desfeita (revolta!)
A caminho do paraíso...

Um coração meio mordido
É coiso dado, meio mordiscado,
Que dá vontade de ir mordendo,
Aguçando o dente ao centro.
Devagarinho...
É pedaço de mau caminho
Promessa dolente...
Sem saber se "dá" ou não dá?...

*para T.P.