A Editorial Presença lançou um concurso.
A cada um calhou a vez de dizer como aprendeu a ler, como ganhou o hábito. Qual foi o tal livro, ou a situação que criou o bichinho.
E eu respondi:
Foi naquele quarto escuro, e algo empoeirado, em casa da minha avó. Naquele quarto, sem janelas, numa casa portuguesa concerteza, onde vivia a pobreza a meias com a a felicidade a dois e 4 gaiatos, e onde havia poucos sítios para por uma cama tinha dormido o meu tio e uma das irmãs mais velhas. Ela estudou para professora, trabalho dignificador então, e uma das poucas coisas que as mulheres podiam fazer. A ele calhou-lhe África e o pouco de bom que a Africa lhe deixou: Uma esposa e remessas de livros de aventuras para as irmãs mais novas que cá ficaram. Sandokan, As viagens de Marco Polo, e muitos outros que a censura fazia por tardar a chegada às bancas. Cresci a passear-me pelas paredes brancas, corredores e recantos estranhos de uma casa construida artesanalmente, pela sala onde uma singela estante recordava que ali havia livros e aventuras por descobrir. Objetos aleatórios, baús, teias de aranha, páginas com ilustrações a preto e branco... lia ainda sem saber que lia. Imaginava e inventava com o que via, sem saber as letras.Tive pressa em aprender as letras e descodificar, em mergulhos naquele quarto escuro, para onde me transportavam aquelas máquinas do tempo. Os livros, como janelas.
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