Foi-se. A magia das coisas.
A magia dos tempos.
A magia de ti.
É isso que me enraivece. Quando a magia se vai.
Preciso de magia e de fantasia quando a realidade cai.
Se ela cai! Cai que nem granizo em cima de um guarda chuva.
A magia é o pingo da chuva brilhando ao sol.
"Carolina... os seus olhos tristes, guardam tanta dor..." (caetano veloso)
A magia faz-me andar mais leve na gravidade dos tempos.
E o teu encanto, perdeu-se como se perde a face negra da lua.
Por falar em lua, eu sou como ela. Preciso de sol para brilhar, e gente para iluminar.
Perdi-me de ti já. Ilumino-me noutro sol. Pressinto um salto para outro planeta...
E a fantasia... foi na leva do rio, na enchente do trabalho em cima da secretária.
Melhor assim... para a vida, quer dizer. Assim como estava, não se conseguia viver. Mas vivi intensamente... a fantasia. Que mais do que isso, não me deix(ei)aste ter. Só pude mesmo entrever...
Espreitar o buraco da fechadura. Que maldade! Poer apenas e só ficar-me pelo voyeurismo das minhas próprias imagens fabricadas!
Sempre posso amar programadamente, como manda a balança das emoções.
Essas putas loucas!
Sempre no fio da navalha
Da navalha que corta
Que corta os dias
e bate com porta.
Essas putas loucas, que o mundo pare bem paridas,
No absurdo da dureza das rotinas.
"São loucas! São loucas..." (Amália Rodrigues, Barco Negro)
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