segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Missão

O prometido é devido. Dei ouvidos às vozes que exigiram o meu regresso. E cá estou eu, de volta, ao trono das palavras. Ao trono da minha voz.

Quero que saibam que sim, que iniciei um caminho novo. Aquele que prometi há tempos. Decidi que o que faz um rio bonito (o da vida pronto! assim, poético e filosófico mesmo para quem queria vomitar o romantismo) não é a água (também, mas não só) mas as margens.

Não gostamos do Tejo porque a água é azul, mas porque dá vida a Lisboa - e Lisboa vida ao Tejo. Ou então não... não gostamos do Tejo porque Lisboa lhe tira vida e beleza... suja-o.

Assim, defini a minha margem, os meus limites. Aquelas/aqueles que posso inundar e beneficiar e aquelas/aqueles que não posso, não quero, não devo.

Algumas margens nunca poderei contornar.

Outras há que não passam do sonho. Nunca as poderei alcançar. Não por impossibilidade mas porque implicam desistir de outras de que não quero abdicar.

Nem na força imensa que surge não sei bem de onde, ás vezes, as poderei ultrapassar. Por outro lado, "Água mole em pedra dura..."

Não nos podemos queixar do mundo se nunca fizermos nada para que ele fique melhor, ou mais ao nosso jeito. E não podemos perder as nossas águas na areia à primeira batidela... nem à segunda. Mas podemos descansar e voltar lá depois!

Todos somos um rio, todos temos margens. Se elas forem de campos estéreis, temos de as inundar e deixar sedimentos, sementes, e esperar. Só podemos esperar aí...

Nós, como rio, podemos correr brutos e selvagens e nunca apreciar as margens que nos rodeiam.

Podemos correr moles e sem força, e depressa estagnamos num lago para rãs e mosquitos.

Podemos correr livres, e ter a força que quisermos, mas sempre cientes de que esda nos trará as conseuências que dela decorrerm porque nem tudo depende de nós.

Porque a beleza está na diversidade.

Podemos alimentar outros rios, mas também deixar que desaguem em nós.

Podemos ser águas com a missão de banhar, lavar, lavrar, criar animais, moldar rochas, verdejar campos, renovar solos...

Podemos correr direitos.

Podemos fazer ziqguezagues.

Podemos entrar na terra e brotar dela.


Mas NUNCA, NUNCA ser a lixeira da margem.


Se pensarmos bem nisso toda a água do planeta é a mesma...


Todos somso iguais e estamos ligados uns aos outros por infinidades que se perdem na conversa.

Quem deita num rio o seu lixo, mais tarde ou mais cedo vai apanhá-lo à frente ou atrás na corrente.

São assim as ideias.

São assim as emoções.

É assim a vontade...

Sem comentários: